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Sociedade Paulista de Estudos Espíritas |
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'A ideia de que a vida é só aqui é absurda', diz vidente Marina Gould.
"Escrito nas estrelas", novela da TV Globo, terminou nessa última sexta-feira, conservando o tom sensato e equilibrado, desenvolvido durante todo seu percurso, sem exageros ou rompantes religiosos. O excelente texto, de autoria de Elisabeth Jhin, conseguiu apresentar uma abordagem especial dos problemas cotidianos, com bastante delicadeza. Enfocou um grupo de pessoas ligadas entre si, e apresentou esses problemas não como tendo uma causa em si, mas como prolongamentos de uma vida anterior, vivida pelos personagens na Espanha, na cidade de Toledo (de grande força mística, aliás!), muitos anos antes, no passado.
Com uma lógica indiscutível, a trama forneceu aquilo que pode ser considerado como um modelo implícito para se entender que os aspectos de uma existência podem ser explicados à luz de uma vida anterior.
Esse modelo, que a autora competentemente explorou, possibilita entender que pode haver mais de uma maneira de explicar as situações desenvolvidas no transcurso da vida de cada ser humano, sem necessidade de qualquer enfoque preso aos cânones da religião formalmente instituída.
Desenvolvida em dois planos distintos, a novela correlacionava os aspectos atuais da vida dos participantes ao plano espiritual, através do qual se podia vislumbrar e entender o que cada um dos seres envolvidos na trama precisava resolver ou resgatar na vida atual. "Escrito nas estrelas" mostrava que o sofrimento pessoal, assim como os impulsos irrefreáveis, pode estar enraizado numa realidade anterior - em diferentes pontos de um passado esquecido, perdido numa vida pregressa. A lição, é bom lembrar, é sempre válida como desafio para que tentemos entender mais humildemente e tranquilamente nosso próprio destino.
E por que não? A ideia de que a vida é só aqui e agora parece tão absurda quanto a hipótese de haver uma evolução a que todos estamos sujeitos. Costumo dizer que a porta que se fecha numa vida, se abre na experiência seguinte, exatamente da mesma maneira e no mesmo ponto, ou seja, toda circunstância em que qualquer indivíduo se encontra na vida atual, é fruto de atitudes e escolhas feitas em alguma circunstância anterior. Deixar de ser o que se foi é a escolha crucial que se fará nessa vida presente.
Finalmente quero destacar outro ponto alto da novela, que deixará saudades. A direção de Fabio Strazzer, feita com segurança e sem pieguices, sem exagero ou dramalhão. Saudosamente nos fez lembrar de seu pai, Carlos Augusto Strazzer, falecido recocemente.
Foi um amigo pessoal, com quem muito aprendi sobre vida, morte, planos espirituais etc. Espírita por convicção, Carlos era uma pessoa do futuro, grande demais para o seu tempo. Deve ser elogiado como ator e, também, como homem corajoso e consciente, capaz de enfrentar altivamente falácias e hipocrisias. Bonito, longos cabelos ao vento, vejo-o hoje como uma luminosa figura que encontrou espaço privilegiado no mundo espiritual.
Ter um filho como Fabio, dono de um trabalho sério e bonito, é também mérito e vitória para Carlos. Parabéns duplo, para pai e filho. |